segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Toque de magia 2

Num pequeno buraco na casca de uma árvore na qual, além da de Stella, moravam mais três famílias de fadas, Sorai cantarolava enquanto preparava o suco mais doce de amoras vinho numa tigela enorme. Squitus estava no grande pátio orientando os cinco filhos e mais alguns outros voluntários na montagem e colocação dos bancos, mesas e na coletagem de gravetos para uma fogueira bem no centro. Stella arrumava seus cabelos olhando-se na grande pérola, e colocava pétalas de brancas de orquídea que pegara caminho de volta para casa, as quais, ornaram perfeitamente com o tom muito amarelo de seus cabelos. Ela adorava tudo nos banquetes e festivais do vilarejo, a música, dança, a comida, bebida e principalmente as conversas e histórias, sempre voltava para casa como se ela mesma as tivesse vivido e a grande verdade era que a pequena não via a hora de viver suas próprias aventuras.
Sua mãe a chamou para que a ajudasse no transporte do suco e então seguiram para o festival. O pátio era como uma clareira de uma grande floresta, no entanto, estavam num imenso jardim de margaridas selvagens de todas as cores e aromas. Pequenas lanternas estavam penduradas por todo o lugar com chamas que tremeluziam ao crepúsculo e davam um tom ainda mais mágico a tudo que ali estava.
-- Não conheço ninguém que goste mais de festivais que você, minha pequena. -- Disse Sorai ao ver os olhos de Stella brilharem.
Se juntaram ao resto da família e a medida que as fadas do vilarejo chegavam, os barulhos de rizada aumentavam e a música ficava ainda mais animada. A comilança começara e parecia não ter fim, como a própria Stella disse, estava tudo perfeito.
A lua estava no centro do céu quando começaram a pedir a Squitus que contasse uma história.
-- Conte aquela do gato cinza que era tão gordo que você teve de usar magia para desentalar o bichano do vão das raízes de uma árvore. -- Pediu um velho amigo de Squitus.
-- Não, conte a da sua viagem para a Grande Ilha Tituu.
Um monte de vozes se juntaram em alvoroço, cada um pedindo sua história favorita.
-- Hoje contarei a história favorita de Stella, e a minha também. -- Gritou Squitus sobrepondo sua voz às demais.
Ficaram todos em silêncio e a atenção era toda à ele.
-- Ao acordar na manhã daquele dia eu nunca imaginaria que lutaria quase até a morte com um terrível pássaro e me apaixonaria antes que o sol sumisse no horizonte. -- Squitus era o perfeito contador de histórias, prendia seus ouvintes logo na introdução.



Continua...

sábado, 28 de julho de 2012

Toque de magia




Os veios da madeira eram profundos da perspectiva de Stella, seu indicador minúsculo de fada passava pelos vãos para sentir toda a textura da casca da maior árvore que tivera a oportunidade de ver em todos os seus 4609 dias de vida.

Tudo ainda era muito novo para ela, o cheiro do pólen de uma rosa selvagem nunca vista, o ressonar nunca escutado de um lobo dormindo e o que mais a encantara, sua própria imagem refletida na superfície lustrosa e brilhante de uma pérola recém retirada de uma ostra de 100 anos que ao morrer abrira e oferecera sua única jóia a ela.

-- Stella, sua mãe a espera para ajudar a pegar gomos de amoras vinho para o festival dessa noite. – dissera seu pai fazendo-a desviar os olhos do vão escuro que eram os veios daquela magnífica árvore.

-- Papai, olhe. Não é a maior árvore que o senhor já esteve? – seus olhos dourados brilhavam como uma moeda de uma bolsa de couro de um pirata.

-- Minha amada filha, já tive a oportunidade de ver árvores com o dobro do tamanho desta que vos fascina tanto.

Squitus, pai de Stella já tinha suas asas cansadas de voar pelo mundo, vivera muitas aventuras e na maioria das vezes adorava relata-las ao banquetes dos festivais em alto e bom som com direito a efeitos sonoros feitos com a própria boca. Impunha grande respeito em todo o vilarejo.

-- O senhor vai nos contar histórias essa noite? – Olhou esperançosa para o pai.

-- Como te negar algo?

A pequena fada de olhos dourados e cabelos da cor de uma pétala de girassol era a única filha fêmea de sua família com 5 irmãos mais velhos, e por sua vez também era a base das asas de seu pai que não a negava nada.

-- Alguma de minhas histórias a agrada mais? – Perguntara Squitus.

-- Sim papai, minha favorita e a que o senhor quase deu sua vida para salvar uma fada de um quero-quero.

-- Essa é a minha favorita também, já que tal fada é sua mãe.

Sorai era a fada mais linda de todo o vilarejo, com seus belíssimos cabelos violeta que combinavam com o tom lilás de seus olhos.




Continua...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Num tempo não muito distante


   Se estivéssemos no século XIX você trocaria olhares comigo do outro lado do grande salão de baile e desviaria o olhar quando eu notasse que me olhavas. Você dançaria com um das donzelas próximas a mim só para chamar minha atenção com seus passos descoordenados de mau dançarino; seus coração saltaria ao ver que minha atenção estava voltada a você.
   Num segundo baile, somente, você viria se apresentar aos meus pais e a mim, e, após uma conversa bem humorada, você finalmente me pediria a honra de dançar comigo só para ter uma razão justificada para tocar minha mão. Conversaríamos de um jeito nervoso no começo da dança até que palavras não fossem mais necessárias para nos comunicarmos; seus olhos não desviariam dos meus.
   Iria em minha casa para o chá, conversaria por horas com meu pai e irmão para que estes o aprovassem, me convidaria para uma caminhada ao entardecer e contaria de suas passagens pelas grandes cidades e de seus planos para o futuro, os quais fariam com que eu ficasse atônita por serem tão similares aos meus. Tocaria em minha mão novamente para me apoiar enquanto subo os degraus da entrada de minha casa. Prometeria que me veria no dia seguinte e no próximo e no próximo e no próximo, e assim o faria até que eu não conseguisse passar mais nenhum só dia sem você.

<3

Inspirado em: Pessoas muito especiais e minha autora favorita do séc. XIX, Jane Austen.

terça-feira, 27 de março de 2012

De cara nova

Ganhei do meu querido primo Adriano Porto essa belíssima arte.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O nunca ultrapassado...


Ficava treinando na frente do espelho treinando o que diria antes de falar com ela, enchia-me de coragem antes de pedir permissão ao pai dela antes de leva-la para tomar uma sorvete, passei metade de um filme criando coragem para segurar a mão dela no escuro, passei frio para emprestar minha jaqueta quando ela sentiu frio, ajudei a carregar seus livros quando só queria ter um pouco mais de tempo ao seu lado depois da escola, tive uma experiência extra corpórea quando recebi o primeiro beijo na bochecha. Ela me fazia sentir como o garoto mais sortudo desse mundo simplesmente pelo fato de estar ao meu lado, sorrir para mim, conversar comigo.
Não tive medo de passar vergonha quando cantei nossa música em público ou quando me abaixei em um joelho e fiz minha promessa de 'felizes para sempre' porque era para ela.
Pergunto-me o quê aconteceu? Hoje em dia nada é para sempre, o que aconteceu com aquele romance de antigamente?



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

My way



Tarde da noite, toda a casa está em absoluto silêncio, tudo e somente o que ouço é o som de ponta da caneta raspando no papel. Eu deveria estar dormindo, afinal terei um dia cheio quando amanhecer, mas o quê eu poderia fazer sendo que as melhores ideias vêm antes de adormecer?
Escrever é minha paixão; o modo como posso transformar um conjunto simples de palavras em uma ou infinitas imagens.
Chega uma hora que minha mão começa a doer, mas isso não me impede de continuar, as palavras vão fluindo no papel com a mesma velocidade que as que se formam em minha mente.
Finalmente termino e examino o resultado massageando minha mãe dolorida, fico orgulhosa com o que eu consigo ver quando leio. Como algo simples como uma folha pautada cheia de palavras numa caligrafia cheia de vícios pode ser tão fascinante?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Gosto Salgado do Adeus

Ao abrir meus olhos aquela manhã senti um desconforto no estômago, tentei me preparar para essa data, mas percebi que não obtive êxito. Notei que Jake não estava mais ao meu lado como da ultima vez que checara, rolei o rosto para o seu travesseiro e inalei o máximo de seu perfume possível tentando guardar cada detalhe de seu cheiro em minha memória.
Ouvi a porta se abrir e o vi, alto com a pele corada de sol, cabelos curtos rentes à cabeça e olhos castanhos que davam a impressão de verem mais do que o possível; Jake entrou no quarto e ao me ver sorriu, meu coração acelerou e um nó se formou em minha garganta fazendo algumas lágrimas brotarem, me esforcei ao máximo para que ele não visse que estava triste, mas como sempre, ele notou e foi até mim, sentou na cama e me abraçou, não consegui me segurar e desabei em um choro sem fim, minhas lágrimas ensoparam uma grande área de sua camiseta.
Após alguns minutos me acalmei, sabia que era mais fácil me acalmar com os braços de Jake para me acolherem, mas e depois?
-- Que horas você tem de ir? -- Perguntei, o nó na garganta fez minha voz ficar estranha.
-- Daquí a alguns minutos. -- Respondeu ele apertando ainda mais o abraço.
-- Não sei se vou aguentar, Jake, estive tentando me preparar para o adeus, mas não sei se consigo.
-- Você tem de ser forte, faça isso por mim, Sarah, não ficarei bem se souber que você não está.
-- Você vai me escrever, me prometa e então te prometo que ficarei bem.
-- Prometo.
-- Prometo.
Selamos com um longo beijo que já tinha gosto de adeus.
Tomamos café da manhã e meu coração deu 4 nós ao vê-lo com sua farda camuflada do exército, entramos no carro e só trocamos alguns olhares sem dizer nada um ao outro, sua mão direita não largava a minha esquerda nem ao menos para mudar de marcha.
Entramos no aeroporto que estava cheio de famílias dizendo adeus e famílias recebendo de volta as pessoas amadas.
-- Eu te amo mais do que tudo que já tive nessa vida, Sarah. -- Disse Jake ao me abraçar com muita força, sua voz estava engraçada então afastei a cabeça de seu peito e notei as lágrimas em seus olhos.
-- Eu te amo tanto que dói, toma cuidado, Jake, não suportaria te perder... -- Comecei a chorar e ele me beijava, nós dois sentimos o gosto salgado da despedida.
Uma mulher em um alto falante anunciou que os passageiros do voo de Jake deveriam se direcionarem à aeronave. Mais um abraço. Mais um beijo. Mais um adeus. Um ultimo olhar.