Queria ter visto A
Culpa É Das Estrelas aos 15 anos.
Ontem à noite, fui ao cinema para ver o filme baseado no Best-Seller do autor Norte-Americano
John Green: A Culpa é das Estrelas. Sim, na véspera do dia dos namorados, eu
(solteira) decidi ver o filme mais romântico e triste em cartaz.
O filme conta a história de uma garota chamada Hazel,
diagnosticada aos 13 anos com um câncer terminal nos pulmões. Hoje, aos 17, sua
mãe nota que ela tem comido pouco, tem lido sempre o mesmo livro e acha melhor
que ela frequente um grupo de ajuda para pessoas com depressão. Após algumas
reuniões com esse grupo, Hazel conhece Augustus (Gus), um garoto de 18 anos que
teve de amputar uma das pernas do joelho para baixo devido, também, a um câncer.
A amizade entre os dois começa. Ela empresta o livro que tanto lê para ele e
ele empresta um que ele gosta muito para ela, os dois conversam sobre música,
assistem a filmes juntos e etc.
Você se apaixona pelo
Gus logo de cara, afinal, quem (com câncer ou não) não gostaria de ter um
garoto mais velho e todo seguro de si dizendo que você é linda com ou sem
maquiagem, que te leva para piqueniques românticos e que consegue se comunicar
com o seu autor favorito só para te ver sorrir como se seus músculos faciais
fossem explodir? Diferente de Hazel, ele é bem otimista e não leva a doença ou
a questão da falta da perna como se isso fosse o centro da vida dele.
No entanto, minha “análise” será sobre toda a minha
experiência ao ver o filme. Começando ao entrar na sala do cinema: comprei o
ingresso para a sessão legendada das 18h30, assim, conseguiria sair do trabalho
e dar uma “corridinha” no cinema e não chegar muito tarde em casa depois (contanto
com greve dos metroviários em SP e com a chegada de todo os espectadores
afobados do mundial). Sentei-me ao lado
de um casal de garotas com cerca de 15 anos; a sala ainda estava bem vazia e,
enquanto eu fazia meu ritual pré-sessão, mais pessoas chegavam.
Quando o filme começou, 90% das pessoas na sala do cinema
eram do sexo feminino e que, pelas reações enquanto o filme rolava, já tinham
lido o livro. Achei uma graça notá-las suspirarem com os sorrisos de
canto-de-boca do Gus e a cada “Você está linda, Hazel Grace” que ele dizia. Lembrei
de quando eu tinha 15 anos e fui ver Crepúsculo após ter lido todos os livros
da saga. Esse foi o pensamento que me fez ter vontade de escrever essa análise;
aos 15, as meninas acreditam, acreditam nesse amor incondicional de adolescente,
no qual tudo é infinito.
A cada dia, eu vejo as meninas se maquiarem cada vez mais
novas, começarem a namorar cada vez mais novas e a perderem a essência da
infância cada vez mais novas, mas ao ter presenciado toda a comoção no final do
filme e ter me posto no lugar delas cinco anos atrás, fez com que eu percebesse
que elas, mesmo que só por aquele momento, ainda são só garotinhas de 15 anos
que acreditam no amor verdadeiro.
Chorei, sim, mas nada comparado às outras meninas da sala; talvez, tenha sido a primeira grande perda delas, eu não sei; ou, talvez, eu
que estava o Grinch do amor naquele momento.
Não li o livro, mas quanto ao filme, só tenho elogios às atuações, à fotografia e ao roteiro.
Enfim, espero de todo o meu coração que essas garotas
continuem acreditando no amor neste mundo em que tudo é tão descartável, mas
também espero que elas não tomem como único exemplo de amor verdadeiro, o amor
de um casal jovem com doenças terminais ou, como no meu caso, no amor entre um
vampiro que brilha ao sol e uma humana completamente sem graça.
