O tempo passa realmente rápido, ontem eu estava aqui com apenas 15 anos, passando férias, me divertindo com meus amigos, tendo maravilhosos natais em família, e hoje volto nesta mesma casa de campo, com minha filha. Vim mostrar a ela minha infância, tentar fazer com que ela veja, o que paredes que antes presenciaram belíssimos Verões de alegria e que hoje, vivem na tristeza da solidão. As crianças que cresceram aqui, hoje estão adultas e com suas famílias formadas. Formadas longe daqui.
Minha filha não conseguia ver o que eu via, eu não a culpava por isso, mas onde ela só via um canto próximo a escada, eu via a árvore do último natal que eu passei aqui, repleta de presentes em baixo, meus olhos de fartavam com as cores dos embrulhos coloridos, ainda podia sentir o calor da emoção de ganhar o livro que eu tanto queria, queimando minhas maçãs do rosto. Infelizmente, quando fomos embora eu havia esquecido o livro dentro da gaveta da cômoda de um dos quartos.
Indo por um pequeno corredor, se chega aos dois únicos quartos da casa, ainda pendurado na parede estava um velho espelho grande. O reflexo que eu via, era muito diferente do que eu me lembrava. Eu não era mais uma adolescente de 15 anos, alguns traços me lembravam essa jovem, mas eram traços envelhecidos, traços que o tempo mudou.
Chegando em um dos quartos, abri a gaveta da cômoda e lá estava, envelhecido como eu, o livro que me alegrou e me emocionou em cada página.
Percebi que a casa era uma ótima fonte de lembranças da minha juventude, porém, o livro era como rever um velho amigo. Quando o ganhei ele era novo como eu, ele me alegrou, me chateou e me emocionou, e hoje quando o encontro novamente, ele está amarelado pelo tempo assim como eu, e ainda está disposto a me fazer reviver todas as emoções da juventude.
Talvez com ele, minha filha poderia ver o que eu via e sentir o que eu sentia, mas ela tem o mesmo direito que eu tive, de reencontrar seus próprios velhos amigos.
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