quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Crônicas de Soph: Do crepúsculo ao amanhecer [1]



Já anoitecia quando, ainda brava , fui para a varanda. Miguel estava sentado nos degraus; eu via seu rosto somente de lado e uma pequena ruga se formava no canto externo de seu olho, sinal de expressão que sempre aparecia quando estava pensativo; ele olhava para o campo em frente a casa enquanto a brisa do crepúsculo passava por ele e trazia o cheiro de seu perfume até mim. Desde que nos conhecemos, o que sempre me agradou mais em Miguel além de seu inigualável senso de humor, foi seu cheiro, nunca forte demais, mas o bastante para me fazer sentir mais calma, como se nada no mundo pudesse me atingir, pois ele sempre estaria ali para me proteger.

Só quando a porta de mosquiteiro bateu foi que ele olhou para mim, sua expressão ainda estava séria mostrando que continuava bravo e aquilo despertou novamente tudo o que seu cheiro calmante havia feito atenuar.
-- O que você quer que eu faça para mostrar que eu acredito em você e que me arrependo de não ter acreditado antes? -- E disse com olhos mareados e a voz oscilante quase em um sussurro.
Seus olhos vasculharam cada canto do meu rosto até chegar aos meus olhos e desviaram voltando ao campo, o que fez com que meu sangue fervesse nas veias e subisse até as maçãs do rosto.
-- ME RESPONDE! Será que dá para me olhar no olhos e me dizer o sente pelo menos uma vez para variar? -- Gritei, agora com as lágrimas escorrendo até os cantos da boca.
Após este momento tudo aconteceu de um jeito tão surpreendentemente rápido que me assustei ao perceber que guardara cada segundo como se tivesse durado uma hora.
Miguel levantou de onde estava como um raio e foi em minha direção parando a um palmo de mim. Olhei para cima para vasculhar a profundidade de seus grandes e hipnóticos olhos castanhos claro.

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